O cenário político no estado do Rio de Janeiro vive momentos de intensa turbulência interna dentro do Partido Liberal (PL). Uma reunião estratégica convocada para esta quinta-feira, 12 de março, promete ser o palco de uma “lavação de roupa suja” entre as principais lideranças da legenda e seus aliados. O motivo central é a crescente insatisfação com a desorganização do PL no Rio de Janeiro e a falta de uma estratégia clara para a disputa ao Palácio Guanabara.
A crise ganha contornos dramáticos diante dos números das pesquisas eleitorais mais recentes. O atual prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), lidera com folga a corrida pelo governo estadual, atingindo 46% das intenções de voto. Enquanto isso, o candidato escolhido pelo campo bolsonarista, Douglas Ruas (PL), aparece com apenas 13%, uma distância considerada alarmante por integrantes da coligação.
Críticas à falta de articulação e desorganização do PL no Rio de Janeiro
Desde o lançamento oficial da pré-candidatura de Douglas Ruas ao governo do estado, em 24 de fevereiro, o clima nos bastidores tem sido de incerteza. A principal queixa de aliados e dirigentes partidários reside na completa ausência de diálogo entre os cabeças de chapa. Até o momento, não houve sequer uma reunião formal entre Ruas e seu vice, Rogério Lisboa (PP), para alinhar discursos ou agendas.

Em depoimento à Coluna do Estadão, um importante integrante do grupo político manifestou o sentimento de desorientação que impera na campanha. “Qual vai ser a agenda? Qual a estratégia? Não sabemos nada”, afirmou o dirigente, que preferiu manter o anonimato. Essa percepção de que a campanha está “perdida” tem gerado pressão sobre a presidência regional do partido.
A desorganização do PL no Rio de Janeiro é vista como um obstáculo crítico não apenas para a eleição estadual, mas para a manutenção da força política da família Bolsonaro em seu principal reduto eleitoral. O estado é o terceiro maior colégio eleitoral do país e serve como termômetro para a viabilidade nacional da direita.
O desafio de enfrentar a popularidade de Eduardo Paes
Superar o favoritismo de Eduardo Paes é a missão mais urgente do grupo liderado pelo PL. Paes tem conseguido capitalizar sua gestão na capital para consolidar uma imagem de administrador eficiente em todo o estado. Para conter esse avanço, o PL precisa estruturar um palanque robusto que garanta visibilidade e segurança para a reeleição do senador Flávio Bolsonaro, figura central na estratégia da família no Rio.
Lideranças convocadas para a reunião de emergência
A reunião desta quinta-feira contará com nomes de peso da política fluminense, na tentativa de estancar a crise. Estão confirmados para o encontro:
- Altineu Cortes: Presidente do PL do Rio de Janeiro;
- Douglas Ruas: Candidato ao governo do estado;
- Rogério Lisboa: Candidato a vice-governador (PP);
- Dr. Luizinho: Liderança do Progressistas (PP);
- Guilherme Delaroli: Presidente em exercício da Alerj;
- Antonio Rueda: Presidente nacional do União Brasil.
A presença de líderes do PP e do União Brasil reforça que a preocupação com a desorganização do PL no Rio de Janeiro transborda as fronteiras da legenda, atingindo toda a estrutura da coalizão de centro-direita.
Implicações para o cenário político fluminense
O resultado deste encontro será determinante para os próximos passos da oposição no estado. Caso a cúpula do partido não consiga apresentar um plano de ação concreto, o risco de debandada de aliados para outras candidaturas ou o isolamento da chapa de Douglas Ruas aumenta consideravelmente. O objetivo é unificar o discurso e iniciar, de fato, a ofensiva contra a liderança isolada de Paes.
Em resumo, os principais pontos de atenção são:
- A necessidade de integração imediata entre Ruas e Rogério Lisboa.
- A definição de uma agenda de campanha que alcance o interior do estado.
- O fortalecimento do palanque para as candidaturas ao Senado e Câmara Federal.
Acompanhar a evolução dessa crise interna será fundamental para entender as chances da direita no Rio de Janeiro nas próximas eleições. A desorganização do PL no Rio de Janeiro, se não corrigida agora, pode custar caro aos planos da família Bolsonaro no berço de sua trajetória política.
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